O que eu desejo para Sorocaba

São 372 anos de história e de lutas a serem comemoradas porque sabemos que para ter qualquer direito é preciso reivindicar. Sorocaba, que tem o nome indígena, é um território rasgado por contradições.

Onde há retrocesso, há movimentos que se erguem e lutam! Comecei ainda adolescente a entender essa dinâmica da sociedade, no movimento estudantil. Quando nasci, meus pais moravam de aluguel no Jardim São Paulo, depois mudamos para a zona norte, onde moro há mais de 30 anos. Do movimento estudantil à vereança foram várias frentes de luta e resistência. Honro os que vieram antes e lutaram para que possamos hoje comemorar a democracia.

Sorocabanas e sorocabanos fizeram greves para reivindicar melhores condições de trabalho na década de 40, nas fábricas têxteis. Depois, lutaram contra a ditadura que impôs censura, perseguições e assassinatos. A classe trabalhadora sempre lutou por dignidade nas fábricas, nas ruas porque de graça o direito não vem.

Sorocaba já teve destaques também por outras ousadias como da juventude que se reuniu em milhares para A Noite do Beijo, em praça pública, contra o decreto de um juiz proibindo o beijo, em 1981. A juventude de 2015 também se levantou e ocupou as escolas estaduais contra o projeto neoliberal do governo do Estado de São Paulo, que impôs, sem qualquer consulta, a reforma do Ensino Médio.

A juventude não pode se contentar com as migalhas da elite que a quer apenas técnica, como engrenagem de uma máquina. A juventude quer ter possibilidades de horizonte.

Na luta pelo território, jovens lideranças também fazem história. Na sexta-feira, dia 14, um dia antes do aniversário de 372 anos de Sorocaba, a notícia presente foi a de que o Ministério Público Federal (MPF) suspendeu as obras da construção da marginal direita do rio Sorocaba, graças à ação civil pública de lideranças da comunidade quilombola José Joaquim Camargo, em Votorantim.

O nosso mandato participou ativamente contra essa construção que devastaria a floresta da margem. Imagina! Em pleno 2026, com problemas climáticos tão graves sendo anunciados há anos, o governo Manga ainda querer tirar a floresta e colocar concreto e asfalto. Que retrógrado!

Desejo que a classe trabalhadora, as crianças e juventudes de Sorocaba tenham plena dignidade e possam exercer seus direitos e que possam reivindica-los quando faltar. É preciso romper com a história única. Quem traz o progresso e o desenvolvimento é aquela e aquele que luta contra as desigualdades. É preciso compreender que nenhuma narrativa deve ser usada para apagar outras.

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