A vereadora Fernanda Garcia (PSOL) protocolou, nesta quinta-feira (9), uma denúncia criminal contra o vereador Vinicius Aith (Republicanos) no Ministério Público Federal (MPF) por violência política de gênero. A denúncia ocorre após a participação do bolsonarista na ‘Live das 10h’, quadro no Jornal Z Norte, em que Aith chama Fernanda de ‘histérica’ e a acusa de ter uma ‘paixão platônica’ pelo parlamentar.
Durante entrevista no jornal, na última quarta-feira (8), Vinicius Aith disparou uma série de insultos sexistas contra a vereadora psolista. “Ela é muito histérica. Ela é toda xiliquenta, dá xilique pra qualquer coisa. E com certeza ela tem uma paixão platônica, porque ela fala de mim a todo momento”, disse. Aith ainda fez um comentário insinuando que a postura combativa da vereadora seria fruto de uma questão pessoal e afetiva com o seu companheiro.
A histeria é um estereótipo misógino histórico, usado durante séculos para descrever comportamentos de mulheres que não se submetiam a normas sociais consideradas padrão. Segundo o pensamento medieval, o útero seria um organismo vivo e possuía vapores que naturalmente desciam para os órgãos sexuais durante as relações sexuais. Caso a mulher se encontrasse em abstinência, tais vapores subiam para o cérebro, provocando os ataques histéricos.
Para Fernanda, ao proferir os ataques, o vereador coloca a mulher como sujeito incapaz de discutir no campo das ideias. “Chamar uma mulher de histérica é um exemplo de como a misoginia se manifesta para inferiorizar mulheres. Ele tenta invalidar as opiniões de uma mulher com a alegação de descontrole emocional e insatisfação sexual”, explicou a parlamentar.
A violência política de gênero é crime no Brasil, definido pela Lei nº 14.192/2021 como qualquer ação ou omissão que restrinja ou impeça o exercício de direitos políticos de mulheres (cis ou trans) devido ao seu gênero, com pena de 1 a 4 anos de reclusão e multa. A conduta busca deslegitimar a atuação de candidatas ou mandatárias e gera inelegibilidade por 8 anos.
“Sempre me perguntam como eu aguento o parlamento, e a resposta é: no âmbito político, não posso me omitir de denunciar, porque quando o vereador diz isso, ele não está só atacando a Fernanda como pessoa. Ele está atacando todas as mulheres que eu represento, assim como todas as mulheres que estão ou estarão na política”, concluiu Fernanda sobre a importância de denunciar casos de violência política de gênero.
Masculinidade não violenta
A vereadora ainda lamentou a postura do parlamentar bolsonarista, que pode influenciar a juventude a naturalizar comportamentos violentos contra as mulheres. Ela avaliou que o avanço da extrema-direita, com a instrumentalização de grupos redpill e outros grupos masculinistas, tem contribuído para a construção de um ambiente marcado por ressentimento e ódio contra as mulheres, com discursos que deslegitimam suas lutas e incitam a violência.
“Essa é a formação que o vereador e a extrema-direita como um todo oferecem aos meninos nas redes sociais. Fabricam jovens que performam uma masculinidade medieval, ensinados a enxergar as mulheres como inimigas, além de desestimularem os meninos a experienciarem uma masculinidade não violenta”, alerta Fernanda Garcia.




