Fernanda Garcia: “passar o trator em cima das árvores não vai diminuir os problemas viários, só aumenta as ilhas de calor

Foto de Rodrigo Motox, do Justiça Climática mostra o segundo dia da supressão de árvores

Vereadora esteve no local, na sexta-feira, dia 9 e questionou desmatamento iniciado no dia anterior, que traz impactos ambientais do projeto e denuncia na Câmara a truculência contra militante em protesto pacífico

A vereadora Fernanda Garcia denunciou, durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Sorocaba desta terça-feira (13), a destruição da mata ciliar do Rio Sorocaba para a construção de uma nova via marginal. A parlamentar alertou para os impactos ambientais da intervenção, que prevê um trecho de 1,64 quilômetro na margem direita do rio, com derrubada de árvores, prejuízos à fauna e à flora e aumento da impermeabilização do solo.

Segundo a denúncia apresentada pela vereadora, o desmatamento teve início em 8 de outubro, logo após as eleições, e avançou durante o fim de semana e o feriado de 12 de outubro. A intervenção na vegetação levanta preocupações sobre a preservação do ecossistema local e os efeitos da expansão da infraestrutura viária sobre o meio ambiente urbano.

Fernanda questiona a necessidade de uma obra que, em sua avaliação, representa um retrocesso na política ambiental da cidade. A retirada da vegetação e a ampliação das áreas pavimentadas podem agravar problemas como a formação de ilhas de calor e a redução da capacidade de infiltração da água no solo, aumentando as inundações.

“Enquanto diversas cidades pelo mundo estão retirando concreto, recuperando áreas verdes e adotando o conceito de cidades-esponja, Sorocaba caminha na direção contrária. Estamos falando de uma intervenção de 1,64 quilômetro que ameaça a mata ciliar, prejudica a fauna e a flora e aumenta a impermeabilização do solo. Precisamos discutir que cidade queremos construir e qual será o custo ambiental dessa obra”, afirma Fernanda Garcia.

Fora isso, os R$ 33 milhões dessa obra poderiam ser empregados em melhorias nos ônibus, tendo mais horários para a população e evitar ônibus lotados, com pessoas passando mal.

A vereadora também denunciou a truculência sofrida por um militante ambiental durante um ato pacífico contra a destruição da mata ciliar. De acordo com o relato apresentado por Fernanda, o manifestante foi levado à delegacia e, após a abordagem, relatava dores pelo corpo.

Vídeos que circulam sobre o episódio mostram o protesto realizado contra a intervenção ambiental. O caso levanta questionamentos sobre a forma como os manifestantes foram tratados e sobre o respeito ao direito de manifestação pacífica.

Para Fernanda, a proteção ambiental e o direito de a população se mobilizar em defesa do patrimônio natural precisam ser respeitados.

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